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Aqui foi o começo de tudo, mas como todo filho um dia tem que ir embora decidi ir atrás de novas experiências literárias no Blog Meia Garrafa e Uma Dúzia de Histórias (www.gabrielpontes.com)
Algumas poesias selecionadas foram migradas para o novo blog.

Aqui jaz um menino cheio de sonhos que não repousam junto com ele.



Gabriel Pontes
g.ponteslima@gmail.com
Escritor

domingo, 25 de outubro de 2009

Dual

Ando hoje sem propósitos
Todo nesse mundo é apenas um desgaste
Vivo vagando e me perguntando:
Pai, por que me abandonastes?

Perambulo pelos cantos
Fazendo o que sempre fazia
Encontrando o aconchego nos ombros amigos
Na velha e manjada boemia

Que propósito tenho eu
Que ainda ponho-me a indagar
Quando olhando para trás vejo tudo o que passei
Mas na frente vejo muito caminho a trilhar

Encontro-me sem rumo
Colhendo os frutos que eu mesmo plantei
Indagando-me com tom desajeitado:
Pai, por que te abandonei?

Uno minhas mãos em oração
Peço refúgio a quem não acredito
A ele mesmo, o tão famoso Deus
Ou nas garras do feroz Mefisto

Sinto vontade de repor
Meu coração que eu aposentei
Logo ali atrás do armário
Dentro de uma caixa de sapatos onde eu o coloquei

Mas que nada
Não a coragem para que isso seja feito
Sempre serei o renegado anjo de Deus
Jamais lembrado pelos seus feitos

Sou o poeta sem coração
Sem Deus o poderoso abrigo
Serei para sempre escravo de minha devoção
Pelo confuso mundo por mim escolhido.

Gabriel Pontes

sábado, 26 de setembro de 2009

Mensagem ao Vento;

Queria que todos os caminhos que eu trilhasse me levassem até você
Queria que todas as estrelas do céu, se eu as seguir, me levassem até você
Queria guiar-me pela bússola, pois você é meu norte, és meu forte, és meu amor.

Quis isolar-me do mundo e trilhar meu caminho sozinho até que encontrei a ti
Queria, depois de te encontrar levar-te as estrelas, um lugar especial onde Deus possa nos ouvir dizer um para o outro: Eu te amo.

Tudo que eu queria era apenas ter tua mão na minha mão, teus olhos a observar minha medíocre pessoa e dizer: Eu te aceito como tu és. E depois caminhar nas águas serenas da felicidade.

Mas hoje ainda tento encontrar os caminhos que levam a ti
As estrelas que me guiariam a ti
E minha bússola aponta para lugar nenhum

Hoje só me resta gritar eu te amo, para que o vento leve essa mensagem até encontrar a ti,

meu amor.

Gabriel Pontes

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

No que me tornei?


Que se passa em mim?
Estou virando um ser inanimado
Sem idéias próprias, sem idéias a defender
Não sou mais o antigo celerado

Cadê os livros que não estão mais em minhas mãos?
No meu blogue nem postagem a vagar
Só falo de Deus e do Demônio ou do quanto não gosto das pessoas
Algo que virou repetição e que todos tendem a esperar

O que ouve com meu eu incomum?
Aquele que não acreditava em nada
Aquele que bebia vinhos
E lia filosofia nas madrugadas?

O que ouve comigo?
Por que não tenho mais a solidão
A felicidade torna-me tão improdutivo
Era mais feliz quando não tinha coração?

O que aconteceu comigo?
Não consigo mais ouvir o medo
Não consigo mais ouvir as mentes
E desvendar seu segredos

O que ouve comigo?
No que me tornei?
Tornei-me naquilo que mais temia
Tornei-me aquilo que tanto critiquei

Um patético sentimental
Amante, emotivo e natural
Porque me tornei Jesus
Neste pobre arrogante sentimental?


Gabriel Pontes

domingo, 23 de agosto de 2009

Leitor


Antes de mais nada recebi dicas de como tornar meu blogue mais popular. Recebi essas dicas de pessoas que com suas capacidades limitadas não entenderam o intuito do blogue. Eu não escrevo para você ler, este blogue é um grande diário que narra às etapas da vida de um moribundo.

Não escrevo coisas bonitinhas, nem poesias alegres, nem gosto disso. Eu falo do gato morto, do moleque de boca suja. Falo dos sentimentos hiperbolizados. Falo do nada, do vazio, da morte, do medo, da solidão. Falo o que der vontade. Falo palavrões. Não falo de Deus, falo do Diabo. Não tenho medo de escrever o que penso, e muito menos de desagradar você.

Eu não tenho o intuito de escrever perfeitamente, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Sou um escritor de merda que pensa o que digitar no banheiro e sendo assim dá asas a sua imaginação. Não pretendo manter a concordância, muito menos uma ordem cronológicas dos fatos. Sou escritor de beira de estrada, que para comprar uma caneta teve de vender os sapatos.

Não vou substituir palavras, se merecer não vou usar a forma culta. Sinto falta de ao invés de ouvir calado chamar alguém de filho da puta!

Sou um cara que acabou esquecendo que não se pode agradar a todos, não se pode ser bom para todos. Descobri o que já imaginava. A verdade é que não escrevo para agradar e por isso agrado a muitas pessoas. Sei que se ainda existe alguém que lê estes textos é por que tem um coração puro e admira a verdade.

Chega de hipocrisia, chega de agradar!

Por fim, precisava muito dizer isso, interpretem como quiser.

Matanza!


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

História Infantil

Obs: Limpe sua mente antes de ler;

Em um mundo não muito distante
Formava-se um casal
Uma linda fêmea Quero-Quero
Com um formoso pássaro Pica-pau

Os dois se apaixonaram
E passaram a noite no bananal
Resultado: A Quero-Quero ficou grávida
E o pai era o Pica-Pau

Juntaram-se e casaram-se
Mas havia uma confusão banal
Qual seria o nome do filho
Daquele formoso casal?

Resolveram misturar
Uma idéia excepcional
Misturaram o nome Quero- Quero
Com o nome Pica-Pau

E formou-se a confusão
Dentre todas a mais banal
Qual seria o nome do filho?
Quero-Pica ou Quero-Pau?

O pai queria por que queria
Colocar no seu filho o Pau
Mas a Quero-Quero Protestou:
-Quero Pica! É mais legal.

Então se passou o tempo
Nesse mesmo assunto anormal
A Mãe queria Pica
E o Pai queria Pau

E logo a natureza surpreendeu
Quando chegou a hora do parto
O Pica-Pau descobriu que eram gêmeos
E quase morreu de infarto

Mas a natureza muito sábia
Criou um desfeche triunfal
E assim a filha foi batizada "Quero-Pica"
E o Filho "Quero-Pau.'

Gabriel pontes


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Reflexão



Olá queridos leitores de quem não gosto, mas agradeço por estarem aqui. Neste domingo de 26 de Julho fui assaltado em frente o prédio da minha namorada. É engraçado, eu ainda abalado, tentar falar sobre o assunto que visto de olhos exteriores parece pouca coisa, mas para meu caso que passei pela situação foram os segundos mais apavorantes de minha vida até então.

Não sei descrever ao certo qual sentimento prevalece e tentando classificá-los lembrei dos 5 estágios da morte que são: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e por ultimo aceitação.

R
efletindo sobre o assunto, em uma conversa com um amigo meu, que também foi assaltado, escolhi 5 fatores, no qual usarei para desabafar. São os 5 estágios de quem sofreu um assalto.

Primeiro Estágio: MEDO

Com uma arma branca apontada em minha direção acompanhado de gritos ameaçadores de alguém que não tem nada a perder, meu corpo para. Vem em minha mente tudo que meus pais me falaram, chega até a duvidar daquilo tudo e pensa: Isso está acontecendo comigo?

Meu coração acelera, minhas pupilas se abrem, me sinto pequeno. Peço dentro de mim que nada de mal aconteça, entrei num transe, aqueles segundos parecem horas.

Segundo Estágio: Incapacidade

A todo momento vi uma forma de reagir, mas nada acontecia. Meus músculos apenas faziam o que a voz intimidadora mandava como se o cérebro tivesse ligado o piloto automático e pulado fora do corpo. Capacidade eu tinha de reagir, mas uma voz interior dizia que nada fizesse.

Mesmo assim senti-me como uma criança. Tive vontade de correr e gritar.

Terceiro Estágio: Raiva

"Agora corre!" -As ultimas palavras que ouvi dele. Não podia acreditar que eu tinha sido assaltado, bateu-me uma raiva me perguntando todo momento: Por que eu não reagi? Por que não percebi que ele queria em roubar? Como eu me senti inútil. "De que vale as artes marciais que pratiquei se não pude fazer nada?" - Foi o que deixei escapar de minha boca!

Queria bater em algo, em alguma coisa, naquele ladrão filho de uma puta miserável! Queria ver minha mão amassando o rosto dele e o sangue melando minha camisa. Raiva!

Quarto Estágio: Tristeza

Ao subir até o 11º andar do prédio, me senti mais aliviado. Estava pálido e tremendo. A raiva havia passado, mas a sensação de perda material tomava conta. Segurei meu celular (que o ladrão não levou por que eu disse que não tinha), tentei nos primeiros minutos ligar para meu pai, mas não consegui. Queria ligar e contar tudo chorando. Mas para não deixá-lo nervoso quis em acalmar primeiro. Tomei água e quando em fim consegui ligar não acreditei no que eu falava. Minha voz estava densa: "Alô pai? Fui assaltado, mas não se preocupa não, ta tudo bem comigo, ele só levou meu pertences." A voz do meu pai me acalmou e eu pensei na hora "belo filho sou eu que leva preocupação para o pai!"

Quinto estágio: Aceitação

Um dia depois, ainda sou abalado pelas imagens e por tudo que aconteceu. Infelizmente esse é o retrato da ignorância humana, que pega os menos avisados que se expõe demais. Minhas crenças me permitem afirmar que se isso aconteceu foi por que alguma coisa deve ser mudada. E quando andamos muito fora da linha a vida vem com um choque de realidade e te mostra que o perigo existe, e que você não passa de um garoto de 16 anos, que não viu nada da vida, que não viu nada do mundo e que não sabe de nada. Essa cápsula criada por nós de que nada pode nos atingir é quebrada quando vemos que podemos ser vitimas de tudo.

Sou grato aos meus pais e meus amigos que estão me ajudando a me recuperar. O que há de mais precioso em mim ele não levou, a vida. Eu as 00:36 consigo terminar de escrever bem próximo do quinto estágio. Sinto-me mais confortável em falar sobre o assunto. Sei que ainda há uma mescla de sentimentos, mas com tudo fico feliz por está aqui escrevendo para vocês.

Sei que tudo na vida há um propósito, um propósito que nos mostra como agir e reagir. Hoje levo mais a sério a frase que diz: "Somos pó e ao pó retornaremos."

Gabriel Pontes

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Conversa com Deus

Foi me proposto um desafio que era de criar uma carta, uma conversa com Deus, seguindo meu ponto de vista Ateísta. Privaram-me do sarcasmo e das ironias, disseram que tinha que ser uma conversa bem simples como seria uma conversa normal com Jah. É difícil escrever sem soltar alguma agulhada quando estou me referindo a religiões ou a Deus, creio que deixei escapar alguma coisa, mas sinceramente, Thor gostou!


Deus, sei que ultimamente não tenho sido um bom filho, no entanto prefiro não creditar no senhor. Talvez seja só mais uma pseudo máscara para ocultar alguém de muita fé. Tenho sim blasfemado muito a sua imagem criada pelos homens e com toda certeza não me arrependo disso, jamais partilharei dessa imagem tão suja que eles criaram.

Deus, tenho tentado através da razão e da ciência explicar para os outros que o mundo não é mágico, tento mostrar as pessoas que se elas parassem de conversar com o senhor para morrer na esperança de uma melhora súbita vida e ao invés disso rezassem para suas pernas e acreditassem mais em si as respostas deixariam de vir dos céus e viriam de nós mesmos.

Sei que cometo pecados incríveis ao tirar o senhor da vida de muitas pessoas, muitas delas só tem em vós a segurança de seus atos, pode parecer presunção minha acreditar que não preciso do senhor, não é isso! Simplesmente quero confiar a mim e no que disse teu filho Jesus “Vos sois Deuses”. E se realmente existir um inferno e o preço desse ato for ser destinado a ele, irei.
"Creio" que para cada um que colocou na terra, a cada um deles, sujos e mentecaptos, destes uma missão, e sei que se faço isso é por que foi "tua vontade", sigo apenas o que a razão me fez acreditar.

Eu sei que eu tenho uma missão, mas o conhecimento tem seu preço. A razão me tirou o sentimento, o medo do sofrimento me levou o amor, a duvida me levou a fé, e a falta de fé me levou Deus.

Espero que tua misericórdia possa entender meus atos e argumentos, já que sei que neste momento, sentado no meu computador falo comigo mesmo ou com o senhor se assim for melhor, se “vos sois deuses” eu sou um Deus, e me perdôo pelos meus atos.

Sou o que sou, este ser, teu filho ingrato e descrente. Mas sei que não serei o mesmo eternamente. Até o juízo final.

Gabriel Pontes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Reflexão em Poesia

A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.
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A vida é algo estranho
Que o próprio consciente não ousa descrever
Mas nos choca quando ainda novo
Um coração para de bater

Num minuto de conversa
De bebida e curtição
Como num momento de despedida em festa
Para ser celebrado o cumprimento de sua missão(?)

A morte é algo tão estranho
Que o próprio consciente não ousa descrever
Quando vem de forma inesperada
Nos força a refletir e tentar entender

Quem sabe alguém lá de cima
Me deu um 'choque de realidade'
Ou só estou fazendo o que os outros mais
Neste súbito momento de fragilidade?

Valerá mesmo apena dez anos de uma vida intensa e louca
Do que 70 na frente de uma TV?
Surpreendo-me como minha vida se tornou tão pouco
Diante da minha consciência de ser

Algo precisa se adaptado
A realidade como a gravidade nos puxa quando voamos demais
Pois a vida não é um conto de fadas lindo
Onde ha gênios que nos conceda a possibilidade de voltar atrás

Por que só nós somos responsáveis pelos nossos atos, para os outros deixamos as conseqüências deles.

Gabriel Pontes