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Aqui foi o começo de tudo, mas como todo filho um dia tem que ir embora decidi ir atrás de novas experiências literárias no Blog Meia Garrafa e Uma Dúzia de Histórias (www.gabrielpontes.com)
Algumas poesias selecionadas foram migradas para o novo blog.

Aqui jaz um menino cheio de sonhos que não repousam junto com ele.



Gabriel Pontes
g.ponteslima@gmail.com
Escritor

domingo, 23 de agosto de 2009

Leitor


Antes de mais nada recebi dicas de como tornar meu blogue mais popular. Recebi essas dicas de pessoas que com suas capacidades limitadas não entenderam o intuito do blogue. Eu não escrevo para você ler, este blogue é um grande diário que narra às etapas da vida de um moribundo.

Não escrevo coisas bonitinhas, nem poesias alegres, nem gosto disso. Eu falo do gato morto, do moleque de boca suja. Falo dos sentimentos hiperbolizados. Falo do nada, do vazio, da morte, do medo, da solidão. Falo o que der vontade. Falo palavrões. Não falo de Deus, falo do Diabo. Não tenho medo de escrever o que penso, e muito menos de desagradar você.

Eu não tenho o intuito de escrever perfeitamente, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Sou um escritor de merda que pensa o que digitar no banheiro e sendo assim dá asas a sua imaginação. Não pretendo manter a concordância, muito menos uma ordem cronológicas dos fatos. Sou escritor de beira de estrada, que para comprar uma caneta teve de vender os sapatos.

Não vou substituir palavras, se merecer não vou usar a forma culta. Sinto falta de ao invés de ouvir calado chamar alguém de filho da puta!

Sou um cara que acabou esquecendo que não se pode agradar a todos, não se pode ser bom para todos. Descobri o que já imaginava. A verdade é que não escrevo para agradar e por isso agrado a muitas pessoas. Sei que se ainda existe alguém que lê estes textos é por que tem um coração puro e admira a verdade.

Chega de hipocrisia, chega de agradar!

Por fim, precisava muito dizer isso, interpretem como quiser.

Matanza!


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

História Infantil

Obs: Limpe sua mente antes de ler;

Em um mundo não muito distante
Formava-se um casal
Uma linda fêmea Quero-Quero
Com um formoso pássaro Pica-pau

Os dois se apaixonaram
E passaram a noite no bananal
Resultado: A Quero-Quero ficou grávida
E o pai era o Pica-Pau

Juntaram-se e casaram-se
Mas havia uma confusão banal
Qual seria o nome do filho
Daquele formoso casal?

Resolveram misturar
Uma idéia excepcional
Misturaram o nome Quero- Quero
Com o nome Pica-Pau

E formou-se a confusão
Dentre todas a mais banal
Qual seria o nome do filho?
Quero-Pica ou Quero-Pau?

O pai queria por que queria
Colocar no seu filho o Pau
Mas a Quero-Quero Protestou:
-Quero Pica! É mais legal.

Então se passou o tempo
Nesse mesmo assunto anormal
A Mãe queria Pica
E o Pai queria Pau

E logo a natureza surpreendeu
Quando chegou a hora do parto
O Pica-Pau descobriu que eram gêmeos
E quase morreu de infarto

Mas a natureza muito sábia
Criou um desfeche triunfal
E assim a filha foi batizada "Quero-Pica"
E o Filho "Quero-Pau.'

Gabriel pontes


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Reflexão



Olá queridos leitores de quem não gosto, mas agradeço por estarem aqui. Neste domingo de 26 de Julho fui assaltado em frente o prédio da minha namorada. É engraçado, eu ainda abalado, tentar falar sobre o assunto que visto de olhos exteriores parece pouca coisa, mas para meu caso que passei pela situação foram os segundos mais apavorantes de minha vida até então.

Não sei descrever ao certo qual sentimento prevalece e tentando classificá-los lembrei dos 5 estágios da morte que são: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e por ultimo aceitação.

R
efletindo sobre o assunto, em uma conversa com um amigo meu, que também foi assaltado, escolhi 5 fatores, no qual usarei para desabafar. São os 5 estágios de quem sofreu um assalto.

Primeiro Estágio: MEDO

Com uma arma branca apontada em minha direção acompanhado de gritos ameaçadores de alguém que não tem nada a perder, meu corpo para. Vem em minha mente tudo que meus pais me falaram, chega até a duvidar daquilo tudo e pensa: Isso está acontecendo comigo?

Meu coração acelera, minhas pupilas se abrem, me sinto pequeno. Peço dentro de mim que nada de mal aconteça, entrei num transe, aqueles segundos parecem horas.

Segundo Estágio: Incapacidade

A todo momento vi uma forma de reagir, mas nada acontecia. Meus músculos apenas faziam o que a voz intimidadora mandava como se o cérebro tivesse ligado o piloto automático e pulado fora do corpo. Capacidade eu tinha de reagir, mas uma voz interior dizia que nada fizesse.

Mesmo assim senti-me como uma criança. Tive vontade de correr e gritar.

Terceiro Estágio: Raiva

"Agora corre!" -As ultimas palavras que ouvi dele. Não podia acreditar que eu tinha sido assaltado, bateu-me uma raiva me perguntando todo momento: Por que eu não reagi? Por que não percebi que ele queria em roubar? Como eu me senti inútil. "De que vale as artes marciais que pratiquei se não pude fazer nada?" - Foi o que deixei escapar de minha boca!

Queria bater em algo, em alguma coisa, naquele ladrão filho de uma puta miserável! Queria ver minha mão amassando o rosto dele e o sangue melando minha camisa. Raiva!

Quarto Estágio: Tristeza

Ao subir até o 11º andar do prédio, me senti mais aliviado. Estava pálido e tremendo. A raiva havia passado, mas a sensação de perda material tomava conta. Segurei meu celular (que o ladrão não levou por que eu disse que não tinha), tentei nos primeiros minutos ligar para meu pai, mas não consegui. Queria ligar e contar tudo chorando. Mas para não deixá-lo nervoso quis em acalmar primeiro. Tomei água e quando em fim consegui ligar não acreditei no que eu falava. Minha voz estava densa: "Alô pai? Fui assaltado, mas não se preocupa não, ta tudo bem comigo, ele só levou meu pertences." A voz do meu pai me acalmou e eu pensei na hora "belo filho sou eu que leva preocupação para o pai!"

Quinto estágio: Aceitação

Um dia depois, ainda sou abalado pelas imagens e por tudo que aconteceu. Infelizmente esse é o retrato da ignorância humana, que pega os menos avisados que se expõe demais. Minhas crenças me permitem afirmar que se isso aconteceu foi por que alguma coisa deve ser mudada. E quando andamos muito fora da linha a vida vem com um choque de realidade e te mostra que o perigo existe, e que você não passa de um garoto de 16 anos, que não viu nada da vida, que não viu nada do mundo e que não sabe de nada. Essa cápsula criada por nós de que nada pode nos atingir é quebrada quando vemos que podemos ser vitimas de tudo.

Sou grato aos meus pais e meus amigos que estão me ajudando a me recuperar. O que há de mais precioso em mim ele não levou, a vida. Eu as 00:36 consigo terminar de escrever bem próximo do quinto estágio. Sinto-me mais confortável em falar sobre o assunto. Sei que ainda há uma mescla de sentimentos, mas com tudo fico feliz por está aqui escrevendo para vocês.

Sei que tudo na vida há um propósito, um propósito que nos mostra como agir e reagir. Hoje levo mais a sério a frase que diz: "Somos pó e ao pó retornaremos."

Gabriel Pontes

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Conversa com Deus

Foi me proposto um desafio que era de criar uma carta, uma conversa com Deus, seguindo meu ponto de vista Ateísta. Privaram-me do sarcasmo e das ironias, disseram que tinha que ser uma conversa bem simples como seria uma conversa normal com Jah. É difícil escrever sem soltar alguma agulhada quando estou me referindo a religiões ou a Deus, creio que deixei escapar alguma coisa, mas sinceramente, Thor gostou!


Deus, sei que ultimamente não tenho sido um bom filho, no entanto prefiro não creditar no senhor. Talvez seja só mais uma pseudo máscara para ocultar alguém de muita fé. Tenho sim blasfemado muito a sua imagem criada pelos homens e com toda certeza não me arrependo disso, jamais partilharei dessa imagem tão suja que eles criaram.

Deus, tenho tentado através da razão e da ciência explicar para os outros que o mundo não é mágico, tento mostrar as pessoas que se elas parassem de conversar com o senhor para morrer na esperança de uma melhora súbita vida e ao invés disso rezassem para suas pernas e acreditassem mais em si as respostas deixariam de vir dos céus e viriam de nós mesmos.

Sei que cometo pecados incríveis ao tirar o senhor da vida de muitas pessoas, muitas delas só tem em vós a segurança de seus atos, pode parecer presunção minha acreditar que não preciso do senhor, não é isso! Simplesmente quero confiar a mim e no que disse teu filho Jesus “Vos sois Deuses”. E se realmente existir um inferno e o preço desse ato for ser destinado a ele, irei.
"Creio" que para cada um que colocou na terra, a cada um deles, sujos e mentecaptos, destes uma missão, e sei que se faço isso é por que foi "tua vontade", sigo apenas o que a razão me fez acreditar.

Eu sei que eu tenho uma missão, mas o conhecimento tem seu preço. A razão me tirou o sentimento, o medo do sofrimento me levou o amor, a duvida me levou a fé, e a falta de fé me levou Deus.

Espero que tua misericórdia possa entender meus atos e argumentos, já que sei que neste momento, sentado no meu computador falo comigo mesmo ou com o senhor se assim for melhor, se “vos sois deuses” eu sou um Deus, e me perdôo pelos meus atos.

Sou o que sou, este ser, teu filho ingrato e descrente. Mas sei que não serei o mesmo eternamente. Até o juízo final.

Gabriel Pontes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Reflexão em Poesia

A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.
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A vida é algo estranho
Que o próprio consciente não ousa descrever
Mas nos choca quando ainda novo
Um coração para de bater

Num minuto de conversa
De bebida e curtição
Como num momento de despedida em festa
Para ser celebrado o cumprimento de sua missão(?)

A morte é algo tão estranho
Que o próprio consciente não ousa descrever
Quando vem de forma inesperada
Nos força a refletir e tentar entender

Quem sabe alguém lá de cima
Me deu um 'choque de realidade'
Ou só estou fazendo o que os outros mais
Neste súbito momento de fragilidade?

Valerá mesmo apena dez anos de uma vida intensa e louca
Do que 70 na frente de uma TV?
Surpreendo-me como minha vida se tornou tão pouco
Diante da minha consciência de ser

Algo precisa se adaptado
A realidade como a gravidade nos puxa quando voamos demais
Pois a vida não é um conto de fadas lindo
Onde ha gênios que nos conceda a possibilidade de voltar atrás

Por que só nós somos responsáveis pelos nossos atos, para os outros deixamos as conseqüências deles.

Gabriel Pontes

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Filhos da Puta



Sem moral e sem sentido
Tudo erro de conduta
Políticos mal intencionados
São todos filhos da puta!

Sem vergonha e dignidade
Mídia fajuta
Jornalistas corruptos e cúmplices do governo
São todos filhos da puta!

Religiões exploradoras
Lavando a mente de gente matuta
Autarquias do comércio de almas
São todos filhos da puta!

Complacentes com o erro
Que não sai nas ruas a luta
Pseudo revolucionários com Marx estampado no peito
São todos filhos da puta!

Doutores e mestres
Arrogantes por dominar a forma culta
Não tem se quer uma vida sexual saudável
São todos filhos da puta!

Músicos, se é assim que podemos chamá-los
Não sabem nem o que é uma nota diminuta
Criam melodias pobres e letras fulas
São todos filhos da puta!


Gabriel Pontes

domingo, 24 de maio de 2009

Mar dos Sentimentos


E nas águas do turbulento mar dos sentimentos me lancei
Sem nenhuma segurança, mesmo sem saber nadar
Fui confiando somente no medo de te perder
Nem que para isso corra o risco de me afogar

Às vezes me sinto sufocado pelas ondas
E perdido no seu imenso tamanho
E eu lá sozinho boiando nessa nova experiência
"Pois uma mente que se abre a uma nova idéia nunca volta a ter o mesmo tamanho!"

Vejo de longe um barco se aproximar
Com um ser encapuzado que me oferece a mão
E eu no desconhecido mar dos sentimentos o nego
Pois no casco do barco havia escrito Solidão

E vejo então o barco se afastando lentamente
E não guardo esperanças de nunca mais ela voltar
Pois daqui a pouco tempo, mesmo contra a minha vontade
Ela ira vir me buscar

Continuo boiando no mar dos sentimentos
Agora já estou bem longe do Porto Razão
Bate dentro de mim um arrependimento que serve de âncora
Que me faz afundar na escuridão

Debato-me e volto à superfície
Consigo acalmar esse sentimento
O arrependimento dá lugar a outro bem mais leve
Conhecido como Lamento

Meu corpo está frio e a umidade me dá agonia
Vejo pulsar mais lentamente meu coração
Vejo ao longe aproximar-se mais um barco
Dessa vez era grande e sólido e no seu casco havia escrito Razão

Minha consciência me viu pular do Porto Razão
E quis me resgatar do sentimento
Mas assim como a Solidão deixei-o passar
Deixo ir embora para meu tormento

Não tenho medo dos perigos
Só medo da desilusão
Que torna-me cauteloso
Transborda-me os olhos de emoção

Eu só quero acreditar de novo
Quero dizer Eu te amo com clareza
Mas de longe vejo um barco a se aproximar
Dessa vez é a minha amiga tristeza

-Vem! Não seja idiota!
-Gritou ao passar por mim
-Não quero ir, vá embora agora!
-Sinto a tristeza triste por mim.

Eu só quero agora
Desfrutar desse mar imenso e duvidoso
Relaxante e profundo
Extremamente perigoso

Amor
Felicidade e emoção
Tudo sonhos imaginados
Por um corpo abandonado sem coração

Mas hoje nada faz sentido
Tanto faz iludir-me ou não
Sou um prematuro desistente do tempo
Vivendo nessa maldição


Gabriel Pontes

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Só Lamento.


A alguns dias numa conversa que tive com uma amiga ela me disse que se pudesse voltar no passado ela não faria algumas coisas que lhe trouxeram experiência, mas a deixava muito constrangida. Eu parei para pensar e respondi: se eu pudesse voltar no passado, faria sim tudo de novo, não podemos nos arrepender do que fizemos, entretanto isso não quer dizer que não podemos lamentar. -Ela sorriu.

Meu passado é algo complicado por que eu o fiz assim admito, como sempre falei aqui quando você lê "dois" livrinhos capengas e descobre que só isso basta para superar a mentalidade de muitas pessoas na massa isso te torna altamente egocêntrico e no meu caso, altamente narcísico e elitista. Eu fui só mais uma vítima do pseudo conhecimento e ao achar que estava me tornando um sábio não percebi que cavava uma cova funda, solitária e vazia. Achando que o mundo não é justo para aqueles que sabem menosprezei pessoas, decepcionei pessoas, briguei com pessoas. Se pudesse voltar atrás no tempo eu faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

Lembro dos cantos que deixei de ir por que o papo não me agradava, lembro que deixei muitos dos meus amigos de infância por que eles preferiam falar sobre Futebol e eu queria discutir Marxismo, Filosofia, política. Lembro que eles até brincavam: O Gabriel ta doido!
Com o tempo eu me tornei um chato, só queria falar coisas produtivas, até mesmo no meio de pessoas completamente alienadas ao invés de me sentar e discutir futebol como alguém humilde e comum. Se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

E assim fui perdendo pessoas, alguns fazem falta, outros nem lembro que existe. E quando você tem poucos amigos o mundo se torna maior do que já é. Comecei o blogue La Solitudine para que fosse uma forma de escape de mundo real, onde aqui eu iria postar somente coisas boas. Grandes jornalistas amigos do meu pai adoravam meus textos críticos e inovadores, era uma fase de inovação. Falhei. Tornei o blogue um poço de lamentações e murmúrios que até pouco tempo era lido somente por mim. Se pudesse voltar atrás faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

E todas as meninas lindas e gentis que eu encontrei no caminho, poderia ter aproveitado mais os momentos a dois, poderia ter me preocupado menos com o supérfluo, poderia ter sido mais compreensível. Se pudesse voltar atrás faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

E todas as noites de sono perdidas devorando livros, alguns eu sequer entendia e lia, relia, relia até a cabeça doer e os olhos não pararem de lacrimejar de tanto forçar a vista. Dos dias de sol perdidos em uma biblioteca lendo mais livros. Se pudesse volta atrás... (Por que somente para isso em mim permanece a dúvida, essa experiência foi a que definiu o que sou.)

Gabriel Pontes