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Aqui foi o começo de tudo, mas como todo filho um dia tem que ir embora decidi ir atrás de novas experiências literárias no Blog Meia Garrafa e Uma Dúzia de Histórias (www.gabrielpontes.com)
Algumas poesias selecionadas foram migradas para o novo blog.

Aqui jaz um menino cheio de sonhos que não repousam junto com ele.



Gabriel Pontes
g.ponteslima@gmail.com
Escritor

sábado, 24 de abril de 2010

Ela.

E as palavras cortaram o coração daquele menino como raios incandescentes que iluminavam a madrugada, tamanha fúria tocaram seu coração que ele ficou pequeno, batendo lentamente no peito, seu orgulho o impedia de se mostrar fraco.

Ele queria gritar, mas o que podia fazer? Nada. Não tinha mais influência nenhuma, mas a vontade que lhe dava era de descarregar socos naquele citado, por conquistar aquilo que até então o pertencia, mas sua serenidade o deixava superior, omitindo a infelicidade e demonstrando indiferença, mas no fundo de seus olhos, os espelhos de sua alma, revelavam sua tristeza, sua perda.

Mas mesmo assim de cabeça arguida, ele se despedia de sua amada, mas aquilo o perturbava. Era fácil ter outras mesmo que fosse para esquecê-la, mas admitir que ela tivesse encontrado outro foi como se centenas de agulhas atravessassem sua medíocre existência que ali se encontrava pequena só por estar na frente dela.

Instantaneamente a tristeza dele se aproximou e retirou uma por uma das agulhas que formavam em seu peito uma enorme ferida e nesta ferida enfiou uma estaca com sua bandeira que dizia “aqui jaz um coração” encerrando definitivamente suas emoções. Condenando-o a vagar novamente atrás de sossego.

Tudo a ele lhe era de bom grado, dinheiro, trabalho, glória, mas de forma bruta tudo isso perdeu seu valor e não havia nada a fazer nem nada a dizer, apenas saber que cada um sabe o que decide e coube a ela a decisão de evitar um ao outro, de evitar o enorme desejo que foi construído ao longo de um namoro.

Agora o pequeno garoto volta a vagar de cabeça erguida e sorriso no rosto, escondendo na alma o mal gosto de então perder a mulher amada para um jovem talvez mais descolado, livre, bonito. Um rapaz que provavelmente a faz feliz tanto quanto o menino a fazia, que fosse mais compreensível, amável, dobrável a sua postura de mulher.

E o garoto? Para ele resta o caminho a seguir, nada de se prender, nada de chorar, pois tudo é passageiro e o amor assim como a flor que surge entre duas pedras, morre como as plantações atacadas pelas pestes de gafanhotos. Teu coração fez a escolha e deves arcar com as consequências.

“Deus tira de nós o que mais amamos. Quando menos esperamos e sem nenhum aviso. E a culpa? A culpa é da vida que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto perder alguém. Mas o tempo é remédio e nele conquistamos o consolo, com ele pensamos nos bons momentos. E no fim apenas a saudade e uma certeza: não importa onde esteja, estará sempre comigo.”

Gabriel Pontes

domingo, 11 de abril de 2010

Morte de Herói



Ele era apenas uma criança
Por seus sonhos que o embalava
Sonhava querer mudar o mundo
Sonhava, sonhava, sonhava...

Ele era apenas uma criança
Alimentando sua alma de idéias armadas de paz
Ele era apenas uma criança tola
Mal sabe que não chegará a ser um rapaz

Ele era apenas uma criança
Que não compreendia o quanto o mundo é desigual
Indignava-se ao ver tanta injustiça
Quando assistia um noticiário local

Ele era apenas uma criança
Quando viu uma multidão se formar na calçada
De um lado os manifestantes e revolucionários
De outro a policia armada

Ele era apenas uma criança
Quando seus pezinhos correram para manifestar também
Mas quando percebeu já era tarde
A polícia avançava como um trem

Ele era apenas uma criança
Com a cara toda amassada
Ele não resistiu, ele não resistiu
Ele não chora nem dá mais risada, não chora nem dá mais risada.

Gabriel Pontes

sábado, 3 de abril de 2010

Judas pede ajudas!

Hoje, sábado de aleluia que antecede a páscoa, uma parte dos Cristãos revela todo o seu amor, perdão e entendimento das obras de seu deus (sim com letra minúscula mesmo) na tradicional malhação de Judas.

Todos os anos nesta mesma data bonecos de pano, serragem ou jornal são comprados, colocados em uma forca e quando chega (normalmente) o meio dia eles ateiam fogo e batem com vigas de madeira demonstrando o completo seguimento de ‘amai uns aos outros como eu os amei’. Neste evento participam homens, mulheres e crianças que antes mesmo de conhecer a história de Jesus Cristo já sabe que tem que malhar Judas por que ele matou o filho de deus.

Judas, segundo wikipédia é uma helenização do nome hebraico Judá ( que significa “abençoado” ou "louvado") e teve um papel fundamental para a criação do Cristo Mártir. Segundo boa parte dos Cristãos, como católicos e ortodoxos, Jesus ao vir a terra já sabia todo o sofrimento e agonia que ele ia passar. Sofrimento que segundo alguns mostraram ao mundo a maior prova do atraso mental humano derivado da alienação religiosa (engraçado ver um deles falando isso).

Como fui catequizado e batizado ainda me sobra resquícios católicos e quando me considerava como tal eu nunca era a favor da malhação de Judas. Se estudar com cautela a história de Cristo como um todo cada ação até mesmo a ‘traição’ foi algo importante. Alguém é capaz de imaginar Jesus Cristo com 60 anos? Esse é o ponto, a traição de Judas é a partida do Cristo, a libertação do seu espírito.

Judas apesar de infiel foi leal a Cristo. Não somente a ele, mas supostamente aos planos de Deus, pois mesmo que ele tenha sido tentado pelo Diabo seu inimigo, Deus teria que deixar que isso acontecesse “Pai afasta de mim esse cálice”.

“Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, excerto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura” (João 17:12)

Sei que malhar Judas já virou algo mais cultural do que religioso, mas de qualquer forma isso vai para outro campo, já que temos como cultura a mágoa por um homem que deveria ser considerado de fundamental importância e perdoado pelo seu ‘erro’ de trair o filho de Deus.

Ganhar dinheiro em cima da fé alheia não é trair o filho de deus? Estuprar criancinhas não é trair o filho de deus? Gerar genocídios não é trair o filho de deus?


Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora do filho do homem ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só, se morrer produz muito fruto. (João 12 – 23, 24)

-*-

Logo que Judas saiu Jesus disse: agora é glorificado o filho do homem, e Deus é glorificado nele. Se deus foi glorificado nele, também deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em breve. Filhinhos meus, por um pouco ainda estou com vosco. Vós me havei de procurar mas como eu disse aos judeus agora vos digo: para onde eu vou, vós não podeis ir.
Dou-vos um novo mandamento: “ Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 13 – 31 ao 34)

Gabriel Pontes.

Ps: E o blogue começa a perder leitores quando eles percebem que o Gabriel está tentando evangelizar vocês.

domingo, 25 de outubro de 2009

Dual

Ando hoje sem propósitos
Todo nesse mundo é apenas um desgaste
Vivo vagando e me perguntando:
Pai, por que me abandonastes?

Perambulo pelos cantos
Fazendo o que sempre fazia
Encontrando o aconchego nos ombros amigos
Na velha e manjada boemia

Que propósito tenho eu
Que ainda ponho-me a indagar
Quando olhando para trás vejo tudo o que passei
Mas na frente vejo muito caminho a trilhar

Encontro-me sem rumo
Colhendo os frutos que eu mesmo plantei
Indagando-me com tom desajeitado:
Pai, por que te abandonei?

Uno minhas mãos em oração
Peço refúgio a quem não acredito
A ele mesmo, o tão famoso Deus
Ou nas garras do feroz Mefisto

Sinto vontade de repor
Meu coração que eu aposentei
Logo ali atrás do armário
Dentro de uma caixa de sapatos onde eu o coloquei

Mas que nada
Não a coragem para que isso seja feito
Sempre serei o renegado anjo de Deus
Jamais lembrado pelos seus feitos

Sou o poeta sem coração
Sem Deus o poderoso abrigo
Serei para sempre escravo de minha devoção
Pelo confuso mundo por mim escolhido.

Gabriel Pontes

sábado, 26 de setembro de 2009

Mensagem ao Vento;

Queria que todos os caminhos que eu trilhasse me levassem até você
Queria que todas as estrelas do céu, se eu as seguir, me levassem até você
Queria guiar-me pela bússola, pois você é meu norte, és meu forte, és meu amor.

Quis isolar-me do mundo e trilhar meu caminho sozinho até que encontrei a ti
Queria, depois de te encontrar levar-te as estrelas, um lugar especial onde Deus possa nos ouvir dizer um para o outro: Eu te amo.

Tudo que eu queria era apenas ter tua mão na minha mão, teus olhos a observar minha medíocre pessoa e dizer: Eu te aceito como tu és. E depois caminhar nas águas serenas da felicidade.

Mas hoje ainda tento encontrar os caminhos que levam a ti
As estrelas que me guiariam a ti
E minha bússola aponta para lugar nenhum

Hoje só me resta gritar eu te amo, para que o vento leve essa mensagem até encontrar a ti,

meu amor.

Gabriel Pontes

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

No que me tornei?


Que se passa em mim?
Estou virando um ser inanimado
Sem idéias próprias, sem idéias a defender
Não sou mais o antigo celerado

Cadê os livros que não estão mais em minhas mãos?
No meu blogue nem postagem a vagar
Só falo de Deus e do Demônio ou do quanto não gosto das pessoas
Algo que virou repetição e que todos tendem a esperar

O que ouve com meu eu incomum?
Aquele que não acreditava em nada
Aquele que bebia vinhos
E lia filosofia nas madrugadas?

O que ouve comigo?
Por que não tenho mais a solidão
A felicidade torna-me tão improdutivo
Era mais feliz quando não tinha coração?

O que aconteceu comigo?
Não consigo mais ouvir o medo
Não consigo mais ouvir as mentes
E desvendar seu segredos

O que ouve comigo?
No que me tornei?
Tornei-me naquilo que mais temia
Tornei-me aquilo que tanto critiquei

Um patético sentimental
Amante, emotivo e natural
Porque me tornei Jesus
Neste pobre arrogante sentimental?


Gabriel Pontes

domingo, 23 de agosto de 2009

Leitor


Antes de mais nada recebi dicas de como tornar meu blogue mais popular. Recebi essas dicas de pessoas que com suas capacidades limitadas não entenderam o intuito do blogue. Eu não escrevo para você ler, este blogue é um grande diário que narra às etapas da vida de um moribundo.

Não escrevo coisas bonitinhas, nem poesias alegres, nem gosto disso. Eu falo do gato morto, do moleque de boca suja. Falo dos sentimentos hiperbolizados. Falo do nada, do vazio, da morte, do medo, da solidão. Falo o que der vontade. Falo palavrões. Não falo de Deus, falo do Diabo. Não tenho medo de escrever o que penso, e muito menos de desagradar você.

Eu não tenho o intuito de escrever perfeitamente, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Sou um escritor de merda que pensa o que digitar no banheiro e sendo assim dá asas a sua imaginação. Não pretendo manter a concordância, muito menos uma ordem cronológicas dos fatos. Sou escritor de beira de estrada, que para comprar uma caneta teve de vender os sapatos.

Não vou substituir palavras, se merecer não vou usar a forma culta. Sinto falta de ao invés de ouvir calado chamar alguém de filho da puta!

Sou um cara que acabou esquecendo que não se pode agradar a todos, não se pode ser bom para todos. Descobri o que já imaginava. A verdade é que não escrevo para agradar e por isso agrado a muitas pessoas. Sei que se ainda existe alguém que lê estes textos é por que tem um coração puro e admira a verdade.

Chega de hipocrisia, chega de agradar!

Por fim, precisava muito dizer isso, interpretem como quiser.

Matanza!


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

História Infantil

Obs: Limpe sua mente antes de ler;

Em um mundo não muito distante
Formava-se um casal
Uma linda fêmea Quero-Quero
Com um formoso pássaro Pica-pau

Os dois se apaixonaram
E passaram a noite no bananal
Resultado: A Quero-Quero ficou grávida
E o pai era o Pica-Pau

Juntaram-se e casaram-se
Mas havia uma confusão banal
Qual seria o nome do filho
Daquele formoso casal?

Resolveram misturar
Uma idéia excepcional
Misturaram o nome Quero- Quero
Com o nome Pica-Pau

E formou-se a confusão
Dentre todas a mais banal
Qual seria o nome do filho?
Quero-Pica ou Quero-Pau?

O pai queria por que queria
Colocar no seu filho o Pau
Mas a Quero-Quero Protestou:
-Quero Pica! É mais legal.

Então se passou o tempo
Nesse mesmo assunto anormal
A Mãe queria Pica
E o Pai queria Pau

E logo a natureza surpreendeu
Quando chegou a hora do parto
O Pica-Pau descobriu que eram gêmeos
E quase morreu de infarto

Mas a natureza muito sábia
Criou um desfeche triunfal
E assim a filha foi batizada "Quero-Pica"
E o Filho "Quero-Pau.'

Gabriel pontes